Urbanismo
Santos, planejar sem planejamento
Como a maioria das vilas do Brasil colonial, o desenvolvimento e expansão da malha urbana de Santos aconteceu sem o planejamento necessário que a adequasse às condições de seu território, impondo a seus habitantes graves problemas de ordem sanitária. O fato do porto ser apenas um ponto de entrada para o continente - de passagem, e não de permanência - impedia o seu desenvolvimento social e econômico.

Na segunda metade do século XIX, a produção de café no sudeste e a extração de borracha no norte do país impulsionavam a economia, capitalizando e inserindo o Brasil em um processo de modernização mundial. Os portos eram portas de entrada e de saída e deveriam representar a suposta modernidade que aqui se construía.
O saneamento de Santos estava portanto relacionado às questões de interesse nacional, aos quais os interesses locais deveriam submeter-se, o que fez da Câmara Municipal a porta-voz dos inúmeros protestos da cidade.

O engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, selecionado para a tarefa após o conturbado processo no qual estavam envolvidos interesses de todas as esferas de poderes, desenvolveu um projeto para a cidade que primeiramente tratava da malha urbana existente e depois criava um suporte para a expansão desta mesma malha em direção à barra. As condições de insalubridade da cidade não estavam apenas relacionadas com a morfologia do território, mas também à tipologia da ocupação, que impedia a adequada ventilação e iluminação das habitações, levando-o a sugerir em seu projeto formas adequadas de ocupação dos lotes.

Como previsto, a malha urbana do território expandiu-se seguindo a lógica das instalações sanitárias já construídas por Brito e sobre a qual o seu projeto urbano constituía apenas uma organização espacial e de "embelezamento" da cidade. Hoje, com o plano e sua malha totalmente ocupados, - mesmo que não realizado a intento, - o projeto de Brito constitui um dos importantes fatores de identidade da cidade, marcado principalmente pelo passeio público na orla e pelos canais que são suas principais referências.
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