| Saneamento da cidade determina seu plano urbanístico
O saneamento de Santos determinou as grandes avenidas da cidade e de que forma ela se desenvolveria a partir daí. Na verdade, naquela época, "saneamento" corresponderia ao que hoje chamamos de "urbanismo", um termo que ainda não existia. Uma vez que os canais de drenagem cortariam áreas ainda ermas da planície, era preciso projetar ruas e pontes. Graças ao projeto de saneamento, a cidade cresceu de forma ordenada e é por isso também que esta página está inserida nesta seção de Arquitetura.
O projeto de saneamento de Santos, de projeção internacional, está descrito em "Projetos e Relatórios - Saneamento de Santos", volume VII das "Obras Completas de Saturnino de Brito".
Santos, terra das epidemias
O saneamento e a saúde era um problema endêmico de Santos. Em fins do século XIX, as epidemias foram responsáveis pela morte de quase 50% da população santista. A febre amarela, varíola, peste bubônica, impaludismo, febre tifóide, desinteria e outras doenças faziam de Santos e de São Vicente uma das regiões mais insalubres do Brasil. |
A zona do Outeirinhos, entre Macuco e Vila Mathias, era um extenso brejo,
a exemplo de outras áreas da planície, A partir de 1907, a construção dos
canais de drenagem começa a mudar a paisagem, (Coleção. João Gerodetti) |
As causas da insalubridade
Além da ausência de uma rede de esgotos, o serviço de abastecimento de água não era adequado. Abafada pela vegetação, a planície santista vivia quase que permanentemente alagada. Com a ausência de declives, o terreno retinha a água das chuvas e das nascentes dos rios. Os rios e ribeiros, como o São Bento, o Rio dos Soldados, o Macaia, o São Jerônimo, Itororó e o Dois Rios, repletos de materiais putrefatos, tinham a sua vazão para o mar dificultada, pois as marés formavam bancos de areia e bloqueavam as saídas. Dessa forma, até mesmo junto à zona comercial, era comum a presença de pequenos cursos d'água, poças e pequenas lagoas, que propiciavam a proliferação de mosquitos e moscas. Todos esses fatores tornavam Santos extremamente insalubre e deixavam seus moradores à mercê de doenças e epidemias. Era tão preocupante a situação que a Cruz Vermelha Brasileira aqui mantinha um posto permanente de combate à maleita.
Pressionado, em 1882 o governo da Província nomeia três comissões para estudar o problema e propor projetos para o saneamento de Santos, as Comissões Ferraz, Cochrane e Lisboa.
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