Evolução Urbana
 
Os métodos ubanísticos a partir da povoação

Após o descobrimento da América e a assinatura do Tratado de Tordesilhas entre Espanha e Portugal, era intenção do governo português explorar o território brasileiro através da criação de feitorias e a cobrança de impostos sobre a extração de recursos naturais e a produção de açúcar. Ao contrário do português, o Reino Espanhol tinha na América uma extensão de seu próprio território, fundando cidades planejadas, escolas, hospitais, universidades e criando uma tradicional presença do Estado. As primeiras ocupações do território brasileiro pelos portugueses eram apenas uma consequência de suas atividades exploradoras. Explica-se assim o fato do povoado de Santos ter se iniciado a partir de uma ocupação informal do território, sem nenhum planejamento, com ruas sendo abertas sobre antigas trilhas indígenas que acompanhavam a geografia do território, fato que pode ser observado no traçado irregular de algumas ruas do Centro Histórico de Santos. A Rua XV de Novembro, por exemplo, sofreu um desvio devido à existência de uma área de mangue ao longo da Rua do Comércio. Somente a partir do século XIX é que se fariam correções e se aplicaria a conceituação romana de urbanismo, o "plano xadrez": os grandes largos em frente aos edifícios principais, as fontes monumentalizadas e as ruas perpendiculares, criando normas rígidas de circulação, vida e convivência.

As primeiras ocupações de terras

Nos primeiros tempos da colonização, a partir da distribuição das sesmarias, a região do Enguaguaçu é ocupada: José Adorno instala seu engenho próximo ao Morro de São Bento, no Valongo; Pascoal Fernandes e Domingos Pires se unem na construção de uma casa e na plantação de cana para alimentar o engenho e cultivam as terras entre o Estuário e a encosta do Monte Serrat, do Corpo de Bombeiros até onde está a Cadeia Velha; Luiz de Góes se estabelece no Centro, próximo ao Outeiro de Santa Catarina; Mestre Bartolomeu Gonçalves se estabelece no atual Morro de São Bento; e finalmente, Brás Cubas fica com o Monte Serrat. Outras áreas são ocupadas nos arredores, mas é no Enguaguaçu que começa a se formar uma povoação, em torno do cultivo da cana e sua industrialização, com a instalação de uma oficina de ferreiro, das primeiras tulhas, dos primeiros ranchos de colonos e monjolos, de mais dois engenhos e das primeiras capelas. O porto é transferido de sua localização na Ponta da Praia para o Lagamar do Enguaguaçu em 1540, consolidando de vez as raízes do novo povoado, com a construção das primeiras pontes de atracação e trapiches. Nesse mesmo ano é construída a Igreja de Santa Catarina e em 1543 é fundado o hospital.

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